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O PBQP-H PDF Imprimir E-mail

Como bem dito por um assessor do Ministério das Cidades “o PBQP-H não é a panacéia para todos os males da construção civil”. Podemos acrescentar além disto que há boas construtoras que não possuem a certificação e deve haver também construtoras certificadas que não desenvolvem a contento seus processos como deveriam.

Nada, porém, do que foi mencionado no parágrafo anterior, impede que afirmemos que as normas de gestão previstas no Sistema de Gestão da Qualidade denominado PBQP-H é sim um bom roteiro a ser seguido por aquelas empresas que desejam trilhar o caminho da qualidade.

Se o engenheiro iniciará um serviço no canteiro de obras, abre a ficha de processo respectiva e contará com a descrição de trabalho a ser seguida, incluindo lista de materiais, equipamentos e EPIs necessários, além dos itens de controle e pré-requisitos para liberação da área.

Se surge um problema, abre-se uma “não conformidade” e com isto a construtora passa a ter registrado em seus anais uma história que servirá de oportunidade de melhoria futura em outras obras ou etapas de uma mesma construção.

Numa obra convencional recebemos, estocamos e controlamos mais de 3 mil itens distintos de materiais, como dispô-los? Basta que se leia a “Ficha de verificação de materiais” respectiva.

Um dos gargalos recorrentes na atual fase por que passa a construção civil nem é tanto a quantidade, mas a qualidade da mão de obra empregada. Como proceder? Há um capítulo inteiro do Sistema de Gestão que se refere justamente à contratação e treinamento dos funcionários.

Com tantos itens de controle ainda assim a empresa pode estar comprometendo a qualidade do padrão do produto entregue? Auditorias semestrais ou anuais, a cargo de organismos de certificação, boa parte multinacionais, neutros e idôneos, cuidarão de verificar se a empresa de fato busca crescimento sustentado com a implantação do Sistema de Gestão ou trata-se meramente de conseguir um certificado na parede.

A incorporação imobiliária, talvez mesmo até a sua revelia, conta com dezenas ou centenas de fiscais em cada um dos empreendimentos que ergue. Graças, dentre outros aspectos, à implantação do código de defesa do consumidor, ao aumento da segurança jurídica no setor, a internet e às redes sociais, a construtora que não fornecer um produto de padrão garantido de qualidade certamente encontrará severas dificuldades no pós-obra, as quais, mal solucionadas, podem comprometer a credibilidade da empresa.

Mas, e o setor público?

Com tantas demandas sociais por hospitais, escolas, estradas, infra-estrutura em geral, não tem sido fácil para os governos e prefeituras, através das secretarias de obras, cuidarem a contento dos projetos e da execução da obra, afinal, o corpo técnico é escasso, não se renova com facilidade, e acaba tendo que se concentrar, muitas vezes, nos trâmites burocráticos do processo, dispondo de tempo limitado para as visitas às obras.

Seria muito bom que, juntamente com a exigência de documentos comprobatórios da segurança jurídica, fiscal, trabalhista, financeira e experiência técnica da construtora, que o organismo público exija comprovação de que a empresa interessada em executar uma obra para a sociedade tenha investido naquilo que é a razão de ser da mesma, um Sistema de Gestão de Processo que garanta produto final equilibrado e de acordo com as normas técnicas vigentes.

Tal exigência nem é pouca e é mínima, afinal, estamos tratando de uma indústria das mais complexas, cuja central de produção é a céu aberto, envolve ao menos centenas de trabalhadores dos mais diversos graus de formação técnica e educacional, às vezes nenhuma faz interface com dezenas de outras indústrias de fornecedores num período curto de obra e convive com processos artesanais e modernos sendo executados num mesmo instante.

Uma maior exigência de controle e padrão de qualidade das construtoras que “servem” ao estado e que tal processo se desenvolva num rol de normas padronizadas, por exemplo, o PBQP-H economizaria dinheiro e garantiria obras mais sólidas, seguras e longevas à sociedade.

Cabe aos órgãos dos governos responsáveis tais como, Tribunais de Contas, Ministério do Planejamento, das Cidades e Ciência Tecnologia unir forcas no sentido de criarem um arcabouço legal, justo, soberano e democrático em prol da maior qualidade da obra pública, para tanto é imperativo que os Sinduscons, através da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic) se mobilizem e ajudem a garantir que uma experiência, o PBQP-H, criada a mais de 11 anos pelo próprio governo federal, se consolide de vez e passe a ser adotada em todo território nacional, valorizando a engenharia e rendendo inúmeros frutos para a sociedade brasileira.

Dionyzio Klavdianos
Presidente da Comat

Fonte: SINDUSCON - DF (www.sinduscondf.org.br)